sexta-feira, 20 de abril de 2018

GENTE É PRA BRILHAR: GLEICI CAMPEÃ!

Não assisti nenhum dia do último BBB (não vejo o programa há anos), mas acompanhei o entusiasmo que muitas mulheres de luta tiveram com a trajetória da Gleici. 
Por isso, ontem pedi as minhas queridas leitoras um guest post. Patricia Daltro (que conheço na blogosfera há uma década), e Marcelle Martins (que é do Acre, terra da Gleici) toparam o desafio. Publico aqui com muita alegria o artigo a quatro mãos de Patricia e Marcelle. 

O que falar sobre a Gleici? Na verdade, a melhor pergunta é: o que não falar sobre a Gleici Damasceno?
Gleici, a acreana que logo na apresentação inicial, eu, Patricia, já classifiquei: ah! Tá lá a cota de negros do BBB e de esquerda. Sai na primeira semana.
Nos primeiros dias na casa, Gleici, quase encolhida, meio sombra de alguns participantes, minha certeza veio crescendo. Sai no primeiro paredão. Ainda mais em uma edição que já trazia um vencedor pré-determinado, o refugiado sírio que estava ali para conseguir tirar a família da guerra.
Mas alguma coisa naquela menina me fez querer ouvir o que ela tinha a dizer. E aí a surpresa foi grande. Como aquela acreana, negra, pobre tinha coisa a dizer! E, quando eu ligava no PPV e a ouvia ficava com mais vontade de saber mais. Para começar, ela não falava da sua vida dura na periferia do Acre. Não tinha o discurso de vitimismo que a gente já espera. Ela falava sobre esperança. Sobre garra. Sobre superar a fome, a miséria, a violência através do estudo e da luta. 
Seus olhos brilhavam quando falava sobre os projetos sociais que fazia parte. De como uma organização de juventude da periferia, que ajudou a fundar, mudará a vida de muitos jovens como ela. Como disse: queria que aqueles jovens, assim como ela, pudessem sonhar.
Defini minha torcida no dia em que ela citou Simone de Beauvoir em uma festa, desconstruindo o discurso involuntariamente machista de um futuro peguete.
Mas Gleici começava a incomodar dentro da casa. Aos poucos, ficou visível que alguns participantes não a enxergavam como igual. Um deles, inclusive, disse em uma conversa com outro, que ela não estava no mesmo nível intelectual deles. Sua etnia, sua origem e principalmente, o fato de Gleici não estar disposta a ocupar o espaço que a maioria ali achava que a ela pertencia, o de coadjuvante calada, começou a construir uma crescente e perceptível exclusão.
Quando a menina despertou os olhares de um dos homens cobiçados da casa, esse preconceito disparou na minha fala (Patricia), em um das cenas mais pesadas: “De onde que um homem como aquele iria se interessar por uma menina assim?!”
Juntou-se a isso o fato da Gleici ter voz. Ela não baixava a cabeça, recusava-se a aceitar os que a diminuíam. Debatia, questionava, tocava no cerne do que estava por baixo -- o preconceito.
Enquanto Gleici lutava pelo seu espaço na casa, construindo laços afetivos, se impondo, sem levantar o tom, do lado de fora sua torcida crescia. Foi muito interessante olhar a torcida da acreana. A voz da participante ecoava para fora dos muros da casa. Mesmo o apresentador pateticamente tentando podar a importância da representatividade, Gleici representava uma multidão de jovens que se enxergava na tela pela primeira vez.
E representatividade, caro Thiago, é muito importante sim e para falar disso, nada melhor do que Marcelle, do Estado da Gleici:
“Rio Branco é uma capital pequena, com jeitinho de interior: todo mundo se conhece, todo mundo é parente de todo mundo. A Gleici, pode se afirmar, mudou tudo por aqui. Não havia outro assunto a se comentar essa semana, em cada esquina, cada sala de aula, qualquer que fosse o lugar, só se falava nela. Olhem bem, para uma população que se alegrava só de ouvir o nome do estado na previsão do tempo do Jornal Nacional, ter uma participante acreana na final do Big Brother significava ter voz. E voz, meus caros, voz a Gleici tem. Podemos dizer que coragem define seu nome, afinal, gritar "Lula livre" pra um país à flor da pele, bom, vocês sabem.
A sensação aqui no Acre é bem simples: união. Gleici lotou o estádio da periferia que mora, lotou o único shopping do estado, fez praticamente todas as lanchonetes e pubs marcarem como um grande evento a transmissão do programa. A vitória dela, ah, o Acre inteirou gritou junto à ela e ecoou por todo o Brasil. Gleici, nossa fada, tudo o que posso dizer é obrigada por nos dar voz, por nos representar tão bem, por marcar o país com a mensagem de que o Acre existe sim! Agora já pode voltar pra sua terrinha com seus louros: o aeroporto vai estar mais do que lotado pra te receber.”
E, em um Brasil que se divide entre pessoas que acham que lutar pela suas causas é mimimi e vozes que gritam pedindo espaço e direitos, Gleici sofreu dentro e fora da casa o preconceito. Aqui fora eu, Patricia, perdi a conta de quantos ataques racistas e misóginos ela sofreu nas redes sociais: “macaca acreana”, “negra fedida”, “humana de estimação” foram alguns dos ataques. Mas a multidão que ouvia a Gleici aprendeu a lutar também. E a cada ataque racista e misógino que ela sofria, sua torcida crescia e se unia em defesa não só da participante, mas também contra essas agressões.
Nunca se falou tanto sobre racismo, misoginia e direitos humanos como nesse BBB.
O próprio romance que ela vivia dentro da casa era sistematicamente questionado do lado de fora. Aqui também se duvidava de que um homem branco, classe média, pudesse se interessar pela negra nortista.
Mas, lá dentro, Gleici falava para e com um Brasil que historicamente não vem sendo escutado. 
Debatendo com uma das participantes que defendeu meritocracia, Gleici simplesmente foi maravilhosa. Destruiu todos os argumentos apresentados, deixando claro que, no Brasil que vivemos, as chances não são iguais para todos e que sem políticas sociais que equiparem essas diferenças, nunca as chances serão iguais.
Para várias pessoas, o ápice desse BBB vai ser a volta da participante de um paredão falso. Para mim, vários momentos merecem ser destacados. A conversa da Gleici com Kaysar, quando ambos se permitiram por alguns minutos falarem sobre suas vidas, fez com que descobrissem semelhanças entre um país em guerra e a vida de guerra na periferia. Ali, ambos choraram a morte de amigos e familiares de forma trágica e aos olhos de um Brasil que tinha facilidade de entender e repudiar uma guerra que acontecia do outro lado do mundo, mas que se fazia cego para a guerra que acontece cotidianamente nas periferias do nosso país.
Gleici entra na história dos BBBs não apenas por ser mulher, negra, pobre, da periferia, acreana, mas porque ultrapassou isso. Costumo dizer que Gleici é maior que o BBB, por que ela foi além. Ali dentro ela nos presenteou com uma postura feminista, de esquerda, mas acima de tudo humana. E essa atitude fez com que ela fizesse um jogo impecável, sendo leal aos seus princípios o tempo inteiro.
A vitória da Gleici tem um gosto a mais. Desde a metade do programa, quando ao que parece, a postura e a fala da participante contrariava aquilo que a emissora defende, seja pela defesa dos direitos humanos, seja por falar abertamente sobre o golpe e pela defesa de cotas e politicas inclusivas do Estado, Gleici começou a ser apagada da edição. 
Sua trajetória se mantinha devido à luta incansável dos apoiadores do lado de fora. Desde terça, quando abriram a votação, a sensação é que Gleici seria derrotada. Mas a voz dela já tinha atingido uma parcela da população que andava acuada e calada após o golpe, e esse povo cansou de ser silenciado e manifestou sua vontade, mais uma vez, através do voto!
De tudo que a Gleici me ensinou, gosto demais de uma conversa dela onde um dos participantes diz que gosta mais de bicho do que gente. E ela, com o sorriso cativante que a marca, diz que por mais que gente seja complicado, ela sempre vai preferir gente: “Eu gosto de gente. A gente precisa de gente pra ser gente".
É isso, Gleici é gente que gosta de gente. E, acho que é isso que o nosso Brasil tá precisando tanto: de gente que goste de gente. Parabéns, Gleici. Vou levar você comigo para sempre! 

quinta-feira, 19 de abril de 2018

GUEST POST: NÃO SE SINTA MAL POR UM ERRO QUE NÃO É SEU

Mensagem da S.: 

Lola, aproveitando que estou conhecendo um pouco mais sobre seu trabalho agora, queria contar uma experiência minha suṕer recente, que me fez pensar muito sobre relacionamentos.
Eu namorava há um ano. Nos últimos meses nossa relação não estava tão boa assim, ele meio distante... Não queria falar comigo. 
Dei esse espaço, passamos duas semanas sem nos falar. Um belo dia ele me manda uma mensagem dizendo que finalmente queria falar comigo. Nos encontramos. Ele me disse que estava ficando com outra pessoa. Fiquei arrasada e sem entender. Ele simplesmente falou "a culpa é sua". E fez eu me sentir culpada, pelo meu jeito, por tudo...
Estudamos na mesma faculdade e ele faz questão de passar com a nova namorada na minha frente e dizendo pra quem pergunta que a culpa é minha.
Resumindo: fiquei péssima, me sentindo culpada e pedindo pra voltar, que eu ia mudar meu jeito, que eu o amava...
Com os dias, venho me dado conta que eu não tenho culpa de nada e que não preciso me submeter a essas humilhações. Mas é um processo doloroso.
Nem sei se vem ao caso, mas acho importante as mulheres saberem que muitas vezes homens fazem besteira e querem que você se sinta mal por um erro que não é seu.
Mas dói.

quarta-feira, 18 de abril de 2018

POR QUE OS AUTORITÁRIOS ATACAM AS ARTES

Foi o Vinícius, que já traduziu um ótimo texto aqui pro blog, que traduziu o texto abaixo e o enviou pra cá. 
Segundo ele, é "um alerta interessante sobre como as artes são fundamentais para a nossa sobrevivência enquanto sociedade".
O artigo, da socióloga Eve L. Ewing, foi publicado pelo New York Times no ano passado, e serve para traçar paralelos entre as perseguições à arte nos EUA e aqui no Brasil
"Arte degenerada", exposição de arte em Berlim, 1937
Em 1937, líderes em ascensão do Terceiro Reich organizaram duas exposições de arte em Munique. Uma, a “Grande Exposição de Arte Alemã”, apresentava a arte que Adolf Hitler considerava aceitável e representativa de uma sociedade ariana ideal: representacional, apresentando pessoas loiras em posições heroicas e paisagens pastorais do interior alemão. 
A outra apresentava o que Hitler e seus seguidores chamavam de “arte degenerada”: obras modernas ou abstratas, e arte produzida por pessoas rejeitadas pelos nazistas -- judeus, comunistas ou suspeitos de serem uma coisa ou outra. A “arte degenerada” foi apresentada em caos e desordem, acompanhada por rótulos depreciativos, grafites e fichas catalográficas descrevendo “os cérebros doentes daqueles que manejavam o pincel ou o lápis”. Hitler e aqueles próximos a ele controlavam estritamente como artistas viviam e trabalhavam na Alemanha nazista, porque compreendiam que a arte poderia desempenhar um papel-chave na ascensão ou queda da sua ditadura e a realização de sua visão para o futuro da Alemanha.
"Não sei nada de arte mas
sei o que odeio" - Trump sobre
recursos para o NEA
Em março de 2017, o governo Trump propôs um orçamento nacional que inclui a eliminação do National Endowment for Arts [nota: agência governamental para arrecadar fundos e suporte às Artes]. O NEA atua com um orçamento de cerca de 150 milhões de dólares por ano. Como os críticos observaram, essa quantia representa cerca de 0,004 por cento do orçamento federal, tornando a decisão uma tentativa bastante ineficiente para cortar gastos governamentais. Muitos americanos têm protestado contra os cortes ao apontar as muitas formas pelas quais a arte enriquece nossas vidas –- como deveriam. As artes nos trazem alegria e entretenimento, podem oferecer um alívio das provações da vida ou uma maneira de compreendê-las. 
Mas como Hitler compreendia, artistas desempenham um papel de destaque no desafio ao autoritarismo. A arte cria caminhos para a subversão, para entendimento político e solidariedade entre criadores de coalizão. A arte nos ensina que outras vidas além das nossas próprias possuem valor. Como um bobo da corte que pode caçoar abertamente do rei em sua própria corte, artistas que ocupam posições sociais marginalizadas podem usar sua arte para desafiar estruturas de poder de maneiras que de outra forma seriam perigosas ou impossíveis.
Líderes autoritários ao longo da história intuíram esse fato e agiram de acordo. O governo stalinista da década de 1930 exigia que a arte seguisse rígidos critérios de estilo e conteúdo para assegurar que ela servisse exclusivamente aos propósitos da liderança estatal. Em suas memórias, o compositor e pianista Dmitri Shostakovich conta que o governo stalinista sistematicamente executou todos os poetas populares da Ucrânia soviética. Quando Augusto Pinochet tomou o poder no Chile em 1973, muralistas foram presos, torturados e exiliados. Logo após o golpe de Estado, o cantor e artista de teatro Víctor Jara foi morto, seu corpo crivado de balas e exibido publicamente como um aviso aos outros. 
No seu livro Brazilian Art Under Dictatorship [nota: já disponível em português, como o título Arte Brasileira na Ditadura Militar], Claudia Calirman conta que a diretora de museu Niomar Moniz Sodré Bittencourt precisou esconder obras de arte e aconselhar artistas a deixar o Brasil após autoridades entrarem em seu museu, bloquearem a exposição e ordenarem que as obras fossem desmontadas porque continham imagens perigosas, como a fotografia de um militar caindo de uma moto, o que era visto como algo embaraçoso para a polícia. Tal intervenção extrema pode parecer distante dos EUA de hoje, até nós levarmos em conta episódios como a condenação pública do presidente ao elenco de Hamilton, após o grupo ter feito um comentário razoavelmente inofensivo direcionado ao vice-presidente Mike Pence.
Em sua última rodada de doações, o NEA doou 10 mil dólares a um festival de música no Oregon para financiar uma performance de dança feita por pessoas em cadeiras de rodas e aulas de danças para pessoas que utilizam aparelhos de locomoção. Um centro cultural na Califórnia recebeu 10 mil dólares para sediar workshops organizados por artistas muçulmanos, incluindo um artista de hip-hop, um comediante e cineastas. 
Um coro em Minnesota recebeu 10 mil dólares para criar um concerto destacando as experiências da juventude LGBTQ, para ser apresentado em escolas públicas de St. Paul. Cada uma dessas doações apoia as vozes das mesmas pessoas que o atual governo tem zombado, descartado e prejudicado. Pessoas jovens, pessoas queer, imigrantes e minorias há tempos utilizam a arte como meio de desmantelar as instituições que nos silenciariam primeiro e nos matariam depois, e o NEA é uma das poucas instituições de grande alcance que apoiam esse trabalho.
Analistas americanos balançaram a cabeça em sinal de desaprovação quando o artista performático Danilo Maldonado foi detido e preso por criticar o regime de Castro, e quando o escultor e fotógrafo chinês Ai Weiwei foi posto em prisão domiciliar e seu estúdio demolido pelo governo. Mas mais perto de casa, é imperativo que entendamos do que se trata de fato o ataque de Trump às artes. 
Não se trata de fazer da América um lugar monótono e infeliz, nem se trata de uma crença na austeridade e em negar recursos às comunidades carentes. Assim como o desaparecimento de informações de sites do governo e a exclusão de repórteres críticos de reuniões na Casa Branca, essa ação sinaliza algo mais amplo e mais ameaçador do que a inabilidade de um grupo de pessoas em fazer seu trabalho. Se trata de controle. Se trata de criar uma sociedade em que a propaganda reina e a divergência é silenciada.
Nós precisamos das artes porque elas fazem de nós seres humanos completos. Mas nós também precisamos das artes como um fator de proteção contra o autoritarismo. Ao salvar as artes, nós nos salvamos de uma sociedade em que a produção criativa só é permitida na medida em que serve como um instrumento de poder. Quando o canário na mina de carvão faz silêncio, nós devemos ter muito medo –- não apenas porque seu canto era tão lindo, mas também porque era o único sinal de que nós ainda tínhamos uma chance de ver a luz do dia novamente.

segunda-feira, 16 de abril de 2018

EDUARDO E PATRICIA, ROUND 349

Vou só falar um pouquinho sobre este mais recente round entre a jornalista Patrícia Lélis e o deputado federal Eduardo Bolsonaro.
Como quase todo mundo já sabe, na sexta-feira a procuradora-geral da República, Raquel Dogde, denunciou Jair Bolsonaro por racismo, homofobia, e todo o lixo que estamos acostumados que saia da sua boca, e um de seus filhos, Eduardo, por ameaças a Patrícia.
Sobre o pai, imagino que todos que leem este blog conhecem minha opinião sobre ele. É um (vô)mito de ser humano, um preconceituoso que, além de tudo, ainda é ignorante e incompetente. Precisa sim ser responsabilizado pelo ódio que espalha. 
No entanto, esta parece uma manobra de impulsionar a candidatura de Alckmin (que acredito que será o principal nome da direita mais pra frente, e o verdadeiro perigo nas eleições). Estão querendo que Alckmin ganhe por WO? Assim como quero que Lula possa ser candidato (e, se for, será eleito), também defendo que um podre como Bolso possa ser. 
Não estou preocupada, ele não vai ganhar. Aqui temos segundo turno, e alguém com as ideias absurdas dele nunca teria maioria. Isso se ele chegar ao segundo turno, o que duvido. Terá 20% dos votos, podem anotar. O que já é demais pra um fascistoide.
Mas não é sobre isso que quero falar.
A procuradora Raquel aceitou a denúncia que Patrícia fez contra o Eduardo. Segundo a petição do Ministério Público Federal, no dia 14 de julho do ano passado, Eduardo mandou várias mensagens a Patricia através do aplicativo Telegram. Entre elas: "Sua otária! Quem você pensa que é? Tá se achando demais. Se você falar alguma coisa eu acabo com sua vida. [...] Depois reclama que apanhou. Você merece mesmo. Abusada. Tinha que ter apanhado mais pra aprender a ficar calada. Mais uma palavra e eu acabo com você. Acabo mais ainda com a sua vida. [...] Você vai se arrepender de ter nascido. Mais uma palavra e eu vou pessoalmente atrás de você. Não pode me envergonhar".
As mensagens estavam marcadas para serem automaticamente apagadas depois de 5 segundos, para não deixar rastros. Patricia tirou prints, gravou um vídeo, e registrou um boletim de ocorrência. No BO, segundo a petição, está escrito que ela conheceu Eduardo em fevereiro de 2016, quando se filiou ao PSC (ao qual ele fazia parte). Em 14/7/17, ele teria feito uma postagem no Facebook dizendo estar namorando com ela. Ela negou nas suas redes sociais -- disse que nunca namorou com ele --, e aí vieram as ameaças. 
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Nunca que vou defender um Bolso ou um Feliciano (a quem Patricia acusou de estupro em junho de 2016; o caso ainda está sendo investigado). Tenho certeza que eles mentem adoidado. 
No caso da denúncia de estupro em 2016, independente do estupro vir ou não a ser comprovado, o que ficou é que um assessor de Feliciano tentou comprar o silêncio de Patricia. Naquele caso, todos mentiram. Inclusive Patricia. 
Por isso eu fico com muito, mas muito pé atrás quando se trata dessa moça. Minha sororidade a ela caso ela tenha sido estuprada por Feliciano (ou por quem for que seja) ou ameaçada por Eduardo (ou por quem for que seja). 
Mas Patricia mente muito, e faz tempo. Não vou dizer o que dizem os reaças -- que ela é uma mitomaníaca, confirmado pelo laudo de uma psicóloga (eles não esclarecem que foi uma psicóloga cristã). Mas é fato que a jovem jornalista já foi pega várias vezes na mentira. 
A matéria mais demolidora contra ela não foi publicada por sites reaças (que logicamente reproduzem e inventam todo tipo de mentira contra ela), mas pelo site Metrópoles, que tem um viés bastante progressista. Na matéria de agosto de 2016, as jornalistas Kelly Almeida e Gabriela de Almeida narram algumas das histórias mirabolantes de Patrícia. Ela já disse que havia agendado um casamento no castelo na Disney (sendo que a Disney não permite casamentos em seus parques), que teria feito estágio no New York Times, que foi embaixadora da ONU, que teve câncer no cérebro, que seus pais são empresários. No entanto, todas as 24 pessoas que as jornalistas entrevistaram para traçar um perfil de Patricia disseram acreditar que Feliciano a estuprou. 
Mas, ao que tudo indica, Patricia inventou um estupro contra ela, em 2010, por um técnico chamado para consertar a máquina de lavar. Ela falou com as repórteres do Metrópoles meses antes do caso do estupro de Feliciano. Ao narrar seu caso (que ela já havia contado num vídeo), Patrícia, então reaça e anti-feminista ferrenha, resumiu: "Fui estuprada e não preciso do feminismo". A entrevista foi tão esquisita, com tantas idas e voltas e incoerências de Patrícia, que as jornalistas optaram por não publicar a história. 
Eu acredito que uma pessoa pode mudar. Que pode deixar de ser anti-feminista e falar um monte de bobagens e virar feminista. Que pode ter sido mentirosa no passado e agora estar falando a verdade. Mas me reservo o direito de desconfiar do que Patricia fala. E não me aproximaria dela de braços abertos, como fizeram várias publicações de esquerda. Uma deu a ela uma coluna. Há boatos que ela será candidata a algum cargo em outubro. 
As ameaças a ela são graves. São ameaças de morte. Ainda por cima Eduardo diz que ela "deveria ter apanhado mais". De quem? Dele? De Feliciano? É muito sério. 
Previsivelmente, Eduardo gravou um vídeo dizendo que era tudo mentira, que Patrícia é mitomaníaca, que ele nunca namorou com ela (que, se eles tivessem namorado, haveria imagens para provar), e que agora sim vai processá-la. Demorou, hein, cara? Imagina que uma pessoa esteja espalhando mentiras sobre você há quase dois anos (Patricia fez vídeo dizendo que Eduardo a forçou a abortar, por exemplo -- na época, Eduardo disse: "não dou bola"). Difamações que são amplamente divulgadas pela mídia. E o cara só agora vai processá-la? Isso pra mim é bem suspeito de que bastante coisa do que Patricia diz contra ele pode ser verdade. 
Ele também disse que vai pedir a perícia dos prints com as ameaças. 
Suponho que a perícia já foi feita, certo? Suponho que uma procuradora não abriria uma denúncia contra um deputado federal sem antes comprovar a veracidade dos prints e do vídeo! A operadora do telefone registrado nas conversas confirmou que ele é de Eduardo desde 2013.
Lembro que em julho do ano passado apareceu uma história estranha, que eu até noticiei aqui (e tive que dar uns dois updates para negar ou confirmar a história, de tão confusa que era). Se entendi direito, Eduardo escreveu no FB que "feminismo é doença", e usou como exemplo a "ex-namorada" Patricia, que tinha postado nas suas redes sociais imagens dançando com um médico cubano numa boate LGBT. Patricia respondeu dizendo que aguentou 3 anos e 8 meses de um relacionamento abusivo com Eduardo, mas agora era dona de si. 
Parece que tanto o recalque de Eduardo quanto a resposta de Patricia eram fakes. Não eram eles. Ou não. Tá vendo como é complicado quando todas as pessoas envolvidas mentem?
De toda forma, nove meses atrás Patricia deu uma entrevista ao Diário do Centro do Mundo narrando como "namorou Bolsonaro e sobreviveu para contar a história" (o DCM republicou a matéria agora). 
Enquanto reaças se empenham em "provar" que (só) Patricia mente, e que é fácil forjar provas, eu me atenho a detalhes bem mais simples. 
Tipo: Patricia e Eduardo namoraram ou não? Patricia disse ao DCM (e em vários outros locais) que eles namoraram durante 3 anos e 8 meses. Mas, no BO, disse que nunca namorou com ele. Aliás, disse que ele ligou e fez as ameaças justamente por ela ter desmentido que eles namoraram (tá vendo como é confuso o negócio?). 
E Eduardo? Ele já disse que nunca namoraram, que não deu bola pro que ela falava sobre ele, que namoraram (pode ter sido um perfil falso)... Ele pode ter ligado pra ela e a ameaçado mesmo que nunca tenham namorado, óbvio. Mas no BO diz que ele "fez uma postagem na rede social Facebook, dizendo estar namorando com a ofendida". Quer dizer, nessa postagem ele nem disse que eles namoraram, mas que estavam namorando. Cadê esse post? 
Sem falar que, se eles se conheceram em fevereiro de 2016, quando Patricia se filiou ao PSC -- como está no BO --, como eles puderam ter namorado durante quatro anos? Só se fosse namoro à distância... 
Fico na torcida para que tudo seja investigado e, se verdadeiro, os agressores (Eduardo e Feliciano), punidos. Se falso, quem pode ser punida é Patricia. De qualquer jeito, é tudo demorado. E, enquanto isso, pode apostar que quem continuará a ser ameaçada (por reaças e mascus) é Patrícia. 
Eduardo e Feliciano, por enquanto, não perdem voto com essa história. Seus eleitores estão acostumados a não acreditar em qualquer mulher que denuncia qualquer violência (a menos que a violência parta de algum homem de esquerda -- aí eles acreditam nas mulheres. Talvez).