quarta-feira, 19 de abril de 2017

GUEST POST: ENTREGAMOS O FUTURO POR CONTA DA IDEIA DE CRISE

Bruno de Almeida Silva estuda Administração na Universidade Federal Rural do RJ e é funcionário público. Ele me enviou um email muito carinhoso com esta excelente análise sobre como a crise é reforçada para mostrar que eliminar direitos seria a única solução de combatê-la. 

Sei que esse é um textão, mas acho que é uma boa reflexão sobre o que o Temer vem fazendo conosco. 
Primeiramente, quero te falar sobre a “crise” no Brasil. Tudo começou há alguns dias, quando fui ao Outback com minha esposa e um casal de amigos. 
Esse é um restaurante caro (um casal gasta em média R$ 150,00 por uma refeição ali -- cerca de 17% de um salário mínimo!) e para minha surpresa, ao chegarmos lá aguardamos cerca de duas horas para sermos atendidos. Tentei me lembrar da última vez que visitei um shopping ou hipermercado e vi o estacionamento vazio. Concluí que não me lembro.
Lembrei-me de quando visitei um restaurante caro em Taubaté com minha esposa e outro casal, três meses atrás. Lá um casal paga em média R$ 350 por uma refeição (cerca de 38% de um salário mínimo!) e para minha surpresa, tive que reservar uma mesa com uns dois dias de antecedência. Conversando com um amigo do trabalho, ele me relatou que no final de março foi a Ubatuba e que naquele fim de semana essa cidade litorânea de SP estava cheia.
Incomodado com essas lembranças e informações, passei a pesquisar sobre a economia do Brasil, frente a outras economias, e cheguei aos seguintes dados:
Em termos de índice de desemprego, temos os seguintes números: Brasil 13,2%, Espanha 18,9%, Grécia 23,3%, Portugal 13%, Itália 12,4%, França 10,5%, Finlândia 9,2%, Áustria 8,9% e Uruguai 8,1%.
Entretanto, o índice de desemprego quer dizer bem pouco sobre a economia de um país. Veja os seguintes índices: EUA 4,7%, Venezuela 7,3% e Cuba 2,4%. Nem preciso dizer como a atual economia entre esses países são distintas entre si!
O índice de desemprego no Brasil não considera a mão-de-obra informal (aquele pessoal que não tem carteira assinada e nem empresa -- ME, EPP ou MEI). No Brasil existem cerca de 10 milhões de trabalhadores nessas condições.
A crise financeira de 2008 levou à falência o Lehman Brothers, o quarto maior banco de investimentos dos Estados Unidos. Além disso e por conta dessa mesma crise, alguns bancos americanos e europeus receberam socorro bilionário de seus respectivos governos. Agora veja a situação de dois dos maiores bancos que atuam no Brasil em 2016: Itaú (lucro liquido/2015 = R$ 23,3 bilhões e lucro liquido/2016 = R$ 21,6 bilhões) e Bradesco (lucro liquido/2015 = R$ 17,19 bilhões e lucro liquido/2016 = R$ 15,08 bilhões). Repare que estamos falando de lucro líquido, isto é, depois de pagar todo custo operacional, foram esses bilhões que “sobraram”.
Sobre a CPMF, um dado para deixar clara a robustez de nossa economia: a alíquota deste tributo, discutida pelo governo federal varia entre 0,32% e 0,5%. Esse tributo seria cobrado sobre movimentações financeiras bancárias, isto é, transferências entre contas, desconto de cheque... com uma alíquota relativamente pequena e cobrada especificamente sobre a transferência de capital o governo pretende arrecadar, nas projeções mais conservadoras, algo em torno de R$ 30 bilhões. Em uma crise, não deveria haver tanta movimentação de capital assim!
Sobre a queda de vendas de carros no Brasil, mesmo com as sucessivas quedas, ainda se vendem mais de 2 milhões de carros zero por ano no país. Entretanto, a venda de carros seminovos manteve-se estável no ano passado.
Sobre o custo da mão de obra e a precarização das ralações trabalhistas, te convido a fazer duas reflexões:
1º - Não é o custo da mão de obra que define o quantitativo dos postos de trabalho. É a demanda. Explico: um empregador nunca vai contratar alguém porque é barato. Ele vai contratar alguém porque ele precisa daquela mão de obra para fabricar algo que gerará lucro. Ainda que a mão de obra custe R$ 20 mil, se houver a possibilidade de lucrar com isso, o empresário pagará esse salário.
2º – Não é somente o custo de produção que define o preço final do produto. Explico com um exemplo: a Volkswagen produz no Brasil o Gol Trendline, vendido no mercado nacional e no mercado mexicano. Os impostos cobrados sobre esse carro e suas respectivas alíquotas são: ICMS (18%), IPI (8%), COFINS (7,6%) e Programa de Integração Social (1,65%). Impostos como licenciamento, IPVA e DPVAT são pagos pelo consumidor. Entretanto, Quando a empresa exporta para o México, ela restitui o ICMS e o IPI e arca com os custos de transporte e os tributos mexicanos (só para ter uma ideia, a carga tributária brasileira varia em torno de 36% do PIB e a mexicana, 15% do PIB). 
Ocorre que, no caso do Gol Trendline, a Volkswagen pratica os seguintes preços: Brasil = R$ 45.932,00 e México R$ 28.704,00 (isso sem levar em consideração que o produto é similar e não igual. O mexicano é um pouco mais requintado!). Portanto, não é a carga tributária ou os custos com a produção que definem o preço do produto, e sim o quanto aquele mercado aceita pagar por um determinado produto. Isso quer dizer que ainda que as relações trabalhistas se tornem mais baratas, os empregadores não repassarão sua fatia de lucro aos empregados (se estes “aceitarem” trabalhar com menos direitos) e muito menos aos consumidores (se estes aceitarem pagar mais pelo produto).
Por que venho falando tudo isso? Para expor uma tese: todo brasileiro que eu conheço comprou a ideia de que estamos em crise. E não duvido que estejamos! Só não acredito que ela seja exatamente do tamanho que o governo vem declarando que ela é. 
No entanto, como “compramos” a ideia de que estamos em crise, estamos anestesiados diante de tantos desmandos do atual governo federal. Aceitamos pacificamente o congelamento dos gastos públicos em saúde, segurança e educação por 20 anos. Aceitamos pacificamente a lei da terceirização sem limites. Aceitamos pacificamente a drástica diminuição do bolsa-família, aceitamos pacificamente o fim do ciência sem fronteiras. Estamos a caminho de aceitar pacificamente essa reforma da previdência e a volta da CPMF. E tudo isso por que? 
Porque acreditamos que estamos no meio da maior crise econômica que esse país já viveu. Porque estamos praticando o ditado “vão-se os anéis e ficam os dedos”. Mas eu tenho uma notícia para te dar: seus anéis não foram. Aparentemente, mentiram para você! 
Por muito menos, populações da França, Espanha, Paraguai e Chile protestaram ferozmente contra os governantes de seus respectivos países, e nós estamos aqui “vendo a banda passar”. Se você dúvida do que eu digo, vá até o shopping ou supermercado mais perto de sua casa, veja se eles estão às moscas. 
Repare na maneira como as pessoas estão vivendo e lembre-se de como elas viviam há 5, 10, 20 anos. Veja se a situação piorou ou melhorou.
A troco de nada estamos entregando nosso futuro! E, enquanto abrimos mão de nosso futuro, nosso governo é o terceiro país do mundo que mais gasta com juros.

terça-feira, 18 de abril de 2017

VITRINE: NÃO ESTOU VENDENDO NADA

Liana Ferraz publicou este texto lindo e poéticomage reflected  no seu blog:

Para um lado para o outro olho. Parada. Olho. Atrás. Um rosto. Um cara. Olhos que não chegam aos meus olhos. Param.
Para quem quer pé para no pé que pé gostosinho pintadinho de vermelho te chupo esse dedão.
Para quem quer perna perninha gostosinha e tem quem se irrite que a perna é fina perninha mixuruca vagabunda piranha da perninha fina.
Para quem quer cintura umbigo barriguinha de fora um olho parado no lugar onde dorme meu útero meu ovário onde dorme meu umbigo que foi ligação com minha mãe e eu quero não ter nada disso em mim para não ter que ter olhos parados nisso. sagrada imagem quebrada cacos. engole o choro menina. você só deu cinco passos.
Para quem quer peito. peitinho delícia pequeno tá com tudo em cima mulher tem peito peito teta seio que amamentou minha filha que tem que por paninho que tem que tem você a ver com meus seios. queria não ter seios agora queria ter só lá naquele lugar onde os olhos se encontram. Respira menina que ainda não andou um quarteirão. mimimi. tá pedindo. vagabunda. tá olhando de um jeito que quer.
Para quem quer pescoço. pescoço carne dura. tem quem veja tem quem grite tem quem sufoque. pescocinho delícia. tô te elogiando. você deveria agradecer.
Para quem quer rosto. uma boca aquela que tá em mim para que eu fale coma beije para que eu grite para que eu tenha a cor que quiser. boquinha bonitinha. adoro boquinha que faz biquinho. buzina. biquinho. gostosinha.
Para quem quer tudo não tem tudo que tudo não anda na rua passando para ir ali. tudo para fala olha responde.
Para quem quer tudo não quer só a mudez da carne recortada em close de revista de moda de desejo que só vai e não volta.
Para quem quer tudo não sou vitrine.
Não sou açougue.
Não ando para estar à venda.
Não vendo abaixo cabeça.
Cabeça. Cabelo. Comprido. Do jeito que eu gosto.
Tinha um poema aqui antes de você chegar e gritar que queria me comer.
Você não pode me comer.
Não sou comestível.
Não sou corte.
Não sou venda em embalagem.
Que susto que medo que dor.
Abaixo a cabeça.
Quando tinha 14 anos quando tinha 20 quando tenho 30 quando terei 40.
Quando terei muito mais serei então a piada da véia da pelanca da teia de aranha da teta da louca.
Serei de novo vitrine do que não vendo só caminho pela rua.
piada padaria esfria café doce.
piada televisão fofoca recorte de novo.
Calma menina que a porta tá quase ali.
Fechada. Soluço.
Reconectar todos os dias as partes fatiadas destrinchadas expostas em ganchos.
Olho no espelho.
A parte de que não se fala se grita se buzina. A parte olhos sem venda.
Sem venda olhos no espelhinho do banheiro choram. Salgam a carne. Conserva.
Na carne curtida há mar.

segunda-feira, 17 de abril de 2017

A LÍNGUA QUE PRECISAMOS MUDAR

Faz algum tempo circulou nas redes sociais uma lista de palavras mostrando como elas são diferentes no masculino e no feminino. 
Por exemplo, “cão” é, entre outras coisas, o melhor amigo do ser humano, mas “cadela” é puta. “Pistoleiro” é um homem que mata pessoas, “pistoleira” é puta. “Aventureiro” é um homem que se arrisca e viaja; “aventureira” é puta. “Homem da vida” é um homem que adquiriu muita sabedoria ao longo da vida; “mulher da vida” é puta. “Homem público” é político ou estadista, "mulher pública" é puta. Muitos dos nossos políticos são ladrões, mas costumamos xingar as mães deles de putas. E o adjetivo “puto” quer dizer nervoso, irritado, bravo, mas basta colocá-lo no feminino para ele ter apenas um significado.
“Puta” é o insulto mais usado para xingar uma mulher. E a mulher não precisa ter feito nada pra isso: basta ser mulher. 
“Puta” está longe de ser o único insulto usado contra as mulheres
Praticamente todas as ofensas relativas ao caráter feminino têm conotação sexual. “Vadia” tem um significado totalmente distinto de “vadio”. Vagabundo pode até ser terno, como no desenho “A Dama e o Vagabundo”, o vagabundo Carlitos, o “Vai Trabalhar Vagabundo” da música do Chico. Já vagabunda não tem nada a ver com trabalho, a não ser que seja trabalho sexual. E não tem a menor chance de ser um adjetivo meigo. 
Quando a mulher não é xingada pelo seu caráter (sempre avaliado apenas pelo lado sexual), é pela sua forma física. Pense nos termos geralmente usados para insultar mulheres. Ou eles aludem a sua aparência, ou a sua sexualidade. “Mocreia”, “baranga”, “dragão”, e tantas outras palavras, não são expressões unissex. Elas servem apenas para mulheres (“barango” e “mocreio” não existem), e sua abundância mostra que ainda hoje avaliamos mulheres por sua aparência, acima de tudo. Não importam suas conquistas, não importa se a mulher em questão for doutora, cirurgiã, ou presidenta -- ela será julgada nos termos de um padrão de beleza racista, inalcançável, e que privilegia a juventude. Meninas aprendem isso desde muito cedo.
Elas também aprendem que sua sexualidade será vigiada e punida e que definitivamente há um padrão duplo. Ouvem o tio ou o pai perguntar pro irmãozinho quantas namoradas (no plural) ele tem, ou dizer a ele, jocosamente: “Prendam suas cabritas que meu bode está solto”. Entendem que elas são as cabritas, e que deveriam estar presas -- para sua própria proteção, claro. 
Em inglês, existem duzentos termos para designar uma mulher sexualmente ativa. E todos eles são pejorativos. Para designar um homem sexualmente ativo, existem vinte termos. E todos eles são positivos. O que esta simples matemática nos revela? Que, na nossa língua (porque em português não é diferente), não existe uma expressão elogiosa para mulher promíscua. Vivemos numa sociedade tão misógina que, através da linguagem, precisamos condenar constantemente a sexualidade feminina. 
E não é coincidência que palavras como “gênio” e “ídolo” praticamente só existem no masculino. Quando falamos em “gênia” ou “ídola”,  é sempre com ironia, com um sorriso de quem sabe que está deturpando a língua. O estranhamento que causa falar “gênia” ou “ídola” já é suficiente para apontar, tanto para a pessoa que fala quanto para a que escuta, que mulher não tem nada que ser elogiada pela sua inteligência.
A língua é um reflexo da sociedade que a usa. Se a nossa língua continua preconceituosa, é porque a sociedade continua preconceituosa. Ao mesmo tempo, a sociedade é moldada pela língua. As crianças crescem ouvindo “homem e mulher”, nessa ordem. Não é apenas pela língua que elas vão se dar conta dessa hierarquia, mas é também pela língua.

domingo, 16 de abril de 2017

ESSA DOUTRINAÇÃO MARXISTA DÁ NOS NERVOS


sábado, 15 de abril de 2017

DIA DAS MÃES, MAIS IMPORTANTE QUE POLÍTICAS PÚBLICAS PARA MÃES

Recebi este email da S.:

Não sou funcionária da prefeitura do Rio de Janeiro. Estou mandando isso em nome de uma amiga que não pode revelar seu nome, mas que confirma que a prefeitura está parada. Só esse tipo de bobagem sai de lá.
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Por exemplo, veja essa resolução da prefeitura do Rio sobre o dia das mães. Os funcionários estão apavorados com a gestão Crivella por conta desse tipo de coisa absurda.
Explico: o prefeito baixou uma resolução criando um grupo de trabalho para promover ações em homenagem às mães. Funcionários de diversos setores (gabinete do prefeito e mais sete secretarias!) estão tendo que se reunir para propor atividades para serem feitas no dia das mães. Nada de políticas públicas para as mulheres. Apenas jogo de cena. 
Os considerandos da resolução são risíveis: falam em preservação de vínculos familiares e de sentimento materno. Zero de políticas públicas para as mulheres. Um dia de "comemoração" parece ser mais importante do que um trabalho permanente para transformar a vida de mulheres e crianças.
Esse caso específico mostra o que essa gestão tem em mente quando se trata de mulheres: homenagear a maternidade. Se ainda fosse um grupo de trabalho para propor ações que melhorassem a vida das mulheres mães, como creches, acompanhamento humanizado de partos, profissionalização de mães carentes etc, vá lá. Mas não! É apenas essa maquiagem. "Homenagens" se passando por políticas públicas.
Na verdade, muitos funcionários estão relatando a quase total paralisia da prefeitura e a incapacidade de elaboração de políticas públicas em diversas áreas. Uma gestão desastrosa.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

"A VERDADE É QUE A REDE GLOBO COISIFICA AS MULHERES"

A juíza federal do Trabalho Roberta Araújo, de Pernambuco, escreveu em suas redes sociais um texto que vale a pena compartilhar (apesar de certo tom moralista). 
Capa didática do Meia Hora, 11/4
Ela não menciona a expulsão de Marcos do BBB17, mas é preciso lembrar -- se a Globo realmente combatesse a violência contra as mulheres, não teria colocado um tipo como Marcos no programa. A heroína, no caso da expulsão do agressor, foi a delegada Márcia Noeli, que mandou a polícia entrar na casa para investigar lesão corporal em Emilly.
O texto da juíza Roberta:

Queridas, antes de divulgar e exultar com a postura da Globo em “punir” José Mayer por assédio ou afastar Otaviano Costa do vídeo show por rir de atitude machista do Big Brother lembrem-se de que foi a Globo que universalizou entre nós a cobiça por Anita, apresentada como uma “ninfeta” ousada que seduzia um homem casado e com idade de ser seu pai.
Foi a Globo que nos apresentou Angel, uma adolescente que permeou o imaginário dos desejos mantendo um ardoroso caso com o marido da sua própria mãe.
Foi a Globo que em Laços de Família envolveu o Brasil na polêmica trama em que a jovem filha rouba Edu, o namorado da mãe, interpretado por Reynaldo Gianecchini.
Foi a Globo que em Avenida Brasil nos trouxe como núcleo de comédia a trama com três mulheres envolvidas com o mesmo homem -- o empresário Cadinho -- e que declinam das suas vidas e dignidade para se sujeitarem a viver com ele, mesmo após se descobrirem enganadas.
Em Império, a Globo preencheu o imaginário de desejos com a trama do charmoso Comendador que mesmo casado com Marta mantinha um fogoso affair com uma menina mais jovem que sua própria filha.
Foi a Globo que fez o Brasil se divertir com o programa Zorra Total, que tinha em seu quadro principal duas amigas em um vagão, sendo uma delas, a Janete, bolinada de várias formas e tocada em suas partes íntimas com a batuta de um maestro enquanto a sua amiga Valéria, ao invés de defendê-la, dizia: “aproveita. Tu é muito ruim, babuína. Se joga.”
Então queridas, quando essa emissora diz em nota que “repudia qualquer forma de desrespeito, violência ou preconceito” está em verdade sendo dissimulada e ofensiva por nos considerar alienadas ou parvas. A verdade é que a Rede Globo coisifica as mulheres, naturaliza a violência, os abusos e assédios, incentiva o desrespeito, ridiculariza o papel e a posição da mulher e subalterna nossa dignidade.
São mensagens explícitas e subliminares como as que esta Rede Globo universaliza e crava no imaginário masculino brasileiro que estupram, abusam, ferem e vitimam milhares de Mirellas que habitam entre nós.